Conjur: Os livros da vida de Vladimir Passos de Freitas

    “Há livros pequenos que são considerados vulgares, mas que dão grandes lições de vida”. Foi que fez questão de registrar o desembargador aposentado, Vladimir Passos de Freitas, em uma conversa com a reportagem da revista Consultor Jurídico. Ele integra a equipe da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça e participa do mutirão Justiça em Dia que irá até começo de 2011. Apaixonado pela administração do Poder Judiciário, promete lançar um livro contando suas experiências.

    Uma das maiores vivências de Freitas foi lecionar. Para ele, os livros práticos podem auxiliar na vida profissional dos operadores de Direito. “Eu sempre recomendo o livro Vá direto ao assunto, do Stuart Levine, para os advogados novos quando eles começam a falar e levam meia hora para dizer aonde vão, ou ainda, quando escrevem petições de cem páginas que nenhum juiz do mundo irá ler”, aponta. Freitas prefere textos de ideias claras e escrita elegante.

    O desembargador aposentado conta que seu pai não chegou a se formar no primeiro grau. Porém, preservava em sua casa uma ótima biblioteca. “Na minha juventude, eu li vários livros que foram muito importantes para minha vida. Não me lembro do primeiro livro, mas que os do Erico Veríssimo me impressionaram muito”, afirmou. Freitas explica que entre os clássicos que leu é marcante perceber que as dúvidas do ser humano são as mesmas em todos os tempos.

    O período em que o desembargador aposentado diz que se dedicou intensamente a leitura foi quando se mudou para Caraguatatuba, no litoral de São Paulo. “Quando passei no concurso para me tornar promotor, li muito. Fui fazer carreira em uma cidade pequena. Li os quatro volumes do Nova Floresta, do Padre Manuel Bernardes. Também li Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Padre Vieira e fez uma diferença muito grande na escrita”, recorda.

    Ele conta também que sempre leu jornais e revistas. Uma de suas primeiras atitudes quando foi presidente do TRF-4, foi observar mais uma revista de comportamento empresarial. “Li que a presidente de uma grande empresa nacional de cosméticos percorria todas as dependências da empresa para ouvir os funcionários”. Quando assumiu, começou a visitar as salas. A portaria do tribunal foi o local escolhido para a primeira visita.

    Assustados, os servidores acharam que o presidente foi pessoalmente dar uma bronca, mas se surpreenderam quando a palavra foi de agradecimento. Freitas aproveitou para incentivá-los e pedir a colaboração deles para os próximos anos. “Eles se dedicaram cinco vezes mais”, considera. A cada semana o desembargador comparecia em um lugar diferente para ouvir os que trabalhavam no tribunal.

    Mesmo aposentado, Freitas manteve sua atividade profissional. Para ele, depois da aposentadoria seu volume de trabalho só aumentou. “Comecei a receber mais convites para palestra, aulas, pareceres, e foram surgindo mais e mais convites. Agora que estou na corregedoria nacional tem dado para equilibrar. É bom um desafio que motiva”. A maior geradora de sua força é a neta, para quem ele afirma que quer deixar um Brasil melhor.

    “Enquanto eu tiver força para lutar por isso vale a pena viver. Se um dia eu não tiver, estará tudo acabado.”
    Outro autor que recomenda é o sociólogo Domenico de Masi, com O ócio criativo. Freitas é um homem de 65 anos super ativo. Ele considera que tem a "vitalidade da juventude”. Mas destaca que é importante saber dosar a carga de afazeres. A decisão de se aposentar veio da avaliação negativa que fez ao se perceber a distância de sua família, que mora em Curitiba. Ele atuou a maior parte do tempo em Porto Alegre.

    Literatura e História

    O primeiro contato com os livros foi em casa na biblioteca de seu pai que, segundo ele, lia muito e tinha o domínio da língua portuguesa. Freitas diz que apesar de não se lembrar do primeiro livro, começou com a literatura clássica. O livro Brasil, país do futuro, de Stefan Zweig, foi um dos que mais marcou o período.
    “Lembro muito de um livro que hoje é desconhecido, do Erich Maria Remarque, sobre a primeira guerra mundial”, observa. Outro autor que impressionou o desembargador foi Eça de Queiroz. Entre suas obras, ele destaca A Cidade e as Serras. “Nele, o protagonista Jacinto de Tormes não sabe se mora na cidade ou no campo e ele resolve passar seis meses em um e depois seis meses no outro. Uma dúvida que existe até hoje”, explica. Freitas cita também Jorge Amado como um dos clássicos que percorreu.

    Livro Jurídico

    De acordo com Vladimir Freitas, a escolha para a carreira do Direito foi uma imitação de seu irmão, que na época cursava a faculdade. “Não existiam tantos cursos diferentes”, lamenta. Além de administração do Poder Judiciário, Freitas é especialista em Direito Ambiental e tem como grandes autores Paulo Afonso Leme Machado, o ministro Herman Benjamin e o desembargador José Renato Nalini.
    O desembargador afirma que a clareza nas ideias e elegância na escrita constituem um bom livro, mesmo os técnicos. Para ele, Nelson Nery Junior consegue reunir essas qualidades. A escrita rebuscada não lhe agrada. Ele completa: “No Direito, ela ainda é muito comum”.

    Li e recomendo

    Freitas indica dois livros essenciais para compreender melhor o Brasil. Segundo ele, 1808 de Laurentino Gomes, fornece uma visão da formação do Brasil. E o clássico Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre permite entender também os problemas do nepotismo no Judiciário.

    Nas horas livres, ele aproveita para praticar natação e afirma que quando acabar seu período no CNJ irá competir na categoria Master. Além disso, Freitas gosta de ir ao cinema. Quando pode vai três vezes assistir filmes, que não sejam de ficção ou ação. Ele diz também que tem muito apreço pela música gaúcha devido ao tempo em que esteve no Estado. E acrescenta que ouve música francesa, italiana e o período marcado pela Bossa Nova.

    Fonte: Conjur
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    Nesta 95ª edição, a Revista Direito Federal disponibiliza os trabalhos individualmente, por autor. 

    Basta que o interessado clique no nome do artigo para baixar o conteúdo em formato PDF. 

    O objetivo da inovação é facilitar a difusão do material. 

    Outra novidade desta edição é a inclusão dos trabalhos dos juízes federais que participaram do convênio entre a Ajufe e a PUC/SP para obtenção de título de doutorado.


    Ficha técnica

    SEÇÃO I

    A primeira seção agrega artigos produzidos por juízes federais associados e, de modo geral, versam sobre direito constitucional, internacional, processual, tributário, comparado, previenciário, penal, além de trabalhos relativos ao processo civil. 

    A Função do Juiz no Estado Democrático de Direito: O Papel do Juiz Constitucional na Implementação dos Direitos Fundamentais
    Paulo Sérgio Ribeiro

    Democracia Representativa: Alguns de seus Dilemas na Atualidade
    Gilvânklim Marques de Lima

    Comunidades Tradicionais Quilombolas e Indígenas
    André R. C. Fontes

    A Ação Popular Ambiental
    Gabriel Wedy

    A Jurisprudência da Corte Europeia de Direitos Humanos como Paradigma para a Concretização do Conceito de Razoável Duração do Processo
    Frederico Augusto Leopoldino Koehler

    O Tráfico de Pessoas no Direito Internacional
    Etiene Coelho Martins

    Os Novos Juizados Especiais Federais e as Demandas Ajuizadas Anteriormente à sua Instalação: Interpretação do Art. 25, da Lei N. 10.259/2001
    Pedro Luís Piedade Novaes

    Julgamento Sumário no JEF: Histórico, Peculiaridades e Perspectiva
    Rogério Volpatti Polezze

    O Princípio do Juiz Natural na Primeira Instância da Justiça Federal
    José Renato Rodrigues

    Confisco de Bens como Instrumento de Combate à Criminalidade Organizada: Análise dos Regimes Estrangeiros e de sua Compatibilidade com o Ordenamento Jurídico Brasileiro
    João Felipe Menezes Lopes

    Direito Penal Mínimo no Ordenamento Jurídico Brasileiro: As Ideias Abolicionistas e Alguns Pontos de Reflexão
    Carolina Souza Malta

    Novos Contornos Interpretativos no Direito Tributário: Da Necessidade de Revisão das Normas que Dispõem Sobre Interpretação e Integração da Legislação Tributária
    Stefan Espirito Santo Hartmann

    O Surgimento e o Desenvolvimento do Right of Privacy nos Estados Unidos
    Leonardo Estevam de Assis Zanini

    A Nova Aposentadoria para as Pessoas Portadoras de Deficiência
    Gilson Nunes Pita Filho

    A Lei N. 8.213/91 e a Pensão por Morte Presumida
    Jerônimo Belinati Martins


    SEÇÃO II

    A segunda seção da Revista Direito Federal reúne os trabalhos realizados por magistrados doutorandos que fazem parte do "Projeto Ajufe - Jurisdição Federal", implementado graças ao convênio firmado entre a Ajufe e o Programa de Pós-Graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

    O Papel dos Juízes na Interpretação Constitucional: Reflexões Sobre Ativismo, Minimalismo e Realismo no Âmbito Criminal
    Raecler Baldresca


    Limites da Interpretação Jurídica e o Direito que Queremos Ter
    Bianor Arruda Bezerra Neto


    Reflexões Sobre o Preparo e Aperfeiçoamento de Magistrados: Curso de Formação Inicial de Magistrados
    Otávio Henrique Martins Port


    O Poder Judiciário no Brasil e o Direito Fundamental à Saúde: Uma Visão Geral
    Sylvia Marlene de Castro Figueiredo


    Deficiência da Estrutura da Justiça Federal e uma Proposta de Reestruturação Interna
    Rodrigo Navarro de Oliveira


    Modelo Federativo de Judiciário: O Sistema Orgânico Múltiplo da Justiça Federal Comum
    Marisa Cláudia Gonçalves Cucio


    A Conciliação na Justiça Federal e os Desafios da Indisponibilidade dos Direitos
    Pedro Francisco da Silva


    Primeiras Linhas Sobre a Mediação e a Conciliação no Novo Código de Processo Civil
    Herbert Cornelio Pieter de Bruyn Jr.


    A Súmula Vinculante 37 e o Revival do Dogma do Legislador Negativo
    Newton Pereira Ramos Neto


    Isenção do Imposto Sobre a Importação dos Bens Contidos em Remessas de Valor de até Cem Dólares Norte-Americanos quando Destinados a Pessoas Físicas
    Diogo Ricardo Goes Oliveira
    

     

     

    Revista Direito Federal na íntegra:


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