Juiz Sérgio Moro diz que segurança de Catanduvas não está em xeque

    tn_311_600_moro_071208Matéria de hoje (2) do jornal O Globo revela  a íntegra das correspondências apreendidas no presídio federal de Catanduvas (PR). A reportagem traz declarações do juiz federal Sérgio Fernandes Moro, do Paraná, de que o episódio das cartas não coloca em xeque a segurança do presídio. 

    Leia a íntegra da matéria:

    Carta do tráfico: 'O bagulho tá doido'

    Íntegra das correspondências apreendidas em Catanduvas revela reação a UPPs

    As cartas da principal facção criminosa do Rio aos traficantes Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e My Thor - que foram interceptadas na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, em outubro - revelam que os bandidos temiam principalmente a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo do Alemão. A informação é do próprio serviço de inteligência do presídio e faz parte do inquérito da Polícia Federal do Paraná que apura como e quem teria ordenado à mulher de um detento do estado a entrega das correspondências a dois chefes do tráfico carioca.

    A íntegra das mensagens que os bandidos pretendiam entregar a seus chefes foi obtida com exclusividade pelo GLOBO. Nas cartas, cujos remetentes são identificados apenas como Tiago e Fellipe, é dito, numa escrita à mão com muitos erros de português, porém legível, que as quadrilhas estavam sendo desmanteladas em virtude das UPPs. "O governo estar embarreirando, e nós estar muito aborrecido com isto", afirma um trecho da carta de Fellipe. "Além do mais tem um montão de amigo largando o crime e abandonão nossa facção nas semi-aberta... O bagulho ta doido. Todos os toques que nós mandam pras cadeias os diretores ficão ligado em tudo. Tá difícil de confiar em alguem. Ainda mais toque de 1000 grau".

    Ainda na mensagem de Fellipe, ele diz que prepara uma reação violenta caso uma nova UPP seja instalada, mas o texto não identifica o lugar. "Eu estou aqui aguardando a UPP. A bala vai comer sério ".

    Já a carta assinada pelo bandido identificado apenas como Tiago sugere uma intenção de atacar UPPs. "Em relação de da um lance nos bruxos nas UPPs esse papo já foi dado nos amigos". Nela, o traficante garante ainda que "os amigos que estão de frente no B-3 (Bangu 3) falaram que quauque missão que passarem pra eles vão cumpri".

    Agentes federais que participam das investigações disseram acreditar que Marcinho VP e My Thor, além de Elias Maluco, foram transferidos em decorrência das cartas - os três já estão na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Embora não haja provas, há informações de que a mulher do bandido do Paraná que faria a entrega das correspondências já teria sido usada outras vezes como pombo correio. Condenado por homicídio e latrocínio, o detento não tem ligações com o tráfico mas seria usado por ter desenvolvido uma forma de fazer circular informações de fora para dentro da cadeia e vice-versa. Porém, a mulher dele, Rosângela Maria Ferreira, presa em flagrante, afirmou no depoimento que foi coagida a fazer a entrega. Ela foi flagrada na revista íntima com o material na vagina.

    Não tivesse ocorrido o fato, Catanduvas ainda seria o local mais seguro por conta da gravação das conversas. Em Porto Velho, ainda não há respaldo legal para um monitoramento tão radical. O juiz federal Sérgio Fernandes Moro, que determinou a medida com um colegiado de juízes, afirma que o episódio das cartas não coloca em xeque a segurança do presídio do Paraná:

    - A decisão de transferir é anterior aos episódios do Rio, que apenas precipitaram o que já era um pedido dos administradores dos presídios. O rodízio é para evitar que os detentos criem laços nas unidades.

    O Estado de S. Paulo

    Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo destaca o reforço no policiamento da fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia com mais 1.500 agentes. Para o juiz Sergio Moro, titular da vara especializada em lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no Paraná, o reforço é positivo, mas não suficiente.

    "A extensão é imensa e por isso é fundamental trabalhar com inteligência, detectar fornecedores, fazer escutas, detectar rotas." Moro explica que, caso essa investigação não ocorra, as ações policiais tendem a ser aleatórias e as apreensões dependem de sorte.

    Leia a íntegra da matéria:

    1.500 agentes reforçam fronteira com Paraguai e Bolivia em ação antitráfico

    Em apoio à guerra contra o tráfico no Rio, o governo federal ampliou o policiamento na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia, por onde entram mais de 80% das drogas e armas que abastecem o crime organizado no País. O objetivo também é conter a entrada de qualquer tipo de apoio logístico e a fuga de criminosos.

    Parte da Operação Sentinela, que já fez o preço das drogas triplicar desde março e rendeu prejuízos estimados em R$ 50 milhões só ao Comando Vermelho, o cerco tem apoio logístico das Forças Armadas e envolve cerca de 1.500 homens de várias corporações, incluindo Polícia Federal, Força Nacional de Segurança, Polícia Rodoviária Federal e tropas especiais dos Estados.

    Em vários pontos da fronteira foram montadas barreiras, nas quais estão sendo revistados veículos, embarcações, pessoas e aeronaves que transitam numa faixa de 150 km. As ações têm o apoio da polícia do Paraguai e as atividades envolvem barreiras fixas e móveis em rodovias, estradas, rios, lagos e caminhos alternativos, segundo informou a PF.

    A operação não tem data para terminar e terá como foco imediato o combate ao crime organizado no Rio. A ordem é impedir a entrada de todo tipo de ajuda aos criminosos, que sofreram um golpe com a apreensão de mais de mais de 40 toneladas de drogas no Complexo do Alemão.

    Segundo o secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini, o esforço é absolutamente necessário, porque quase toda a droga que abastece o mercado brasileiro entra pela região. Tanto lá quanto no Paraná todas as rodovias estão sob cerco. Até os caminhões estacionados nos pátios da Receita Federal estão sendo revistados.

    Titular da vara especializada em lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no Paraná, o juiz federal Sergio Moro pondera que o reforço é positivo, mas não suficiente. "A extensão é imensa e por isso é fundamental trabalhar com inteligência, detectar fornecedores, fazer escutas, detectar rotas." Ele explica que, caso essa investigação não ocorra, as ações policiais tendem a ser aleatórias e as apreensões dependem de sorte.

    Cerco

    Desde abril, operações nas fronteiras vêm sendo implementadas progressivamente em Mato Grosso, Rondônia, Acre, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Roraima, Para e Amapá. No período, foram presas mais de 1.200 pessoas pela Sentinela. Só em Foz do Iguaçu (PR), houve aumento de 600% nas apreensões de maconha.
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