Doleira de bancos suíços é condenada

    Clientes de três bancos suíços e um americano recorriam a serviço para remessas ao exterior

    SÃO PAULO. A Justiça Federal de São Paulo condenou a quatro anos de prisão - convertida em prestação de serviços - a doleira Claudine Spiero por envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro para clientes de três bancos suíços - Credit Suisse, UBS e Clariden Leu - e da representação do banco americano AIG no país. A doleira foi denunciada pelo Ministério Público Federal, que se baseou na Operação Suíça, deflagrada em 2006 pela Polícia Federal (PF) e que, no ano seguinte, levou três executivos dos bancos à prisão por envolvimento em crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

    Na sentença, com data do último dia 12, o juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis, diz que Claudine "operacionalizava remessas ilegais ao exterior em favor de clientes do banco Credit Suisse, seu controlador Clariden, e UBS, por indicação de gerentes das próprias instituições". Segundo investigações da PF na época, o esquema teria causado prejuízos de R$1 bilhão à Receita Federal.

    "Tal esquema representa uma verdadeira alavanca para direcionar a pulverização de dinheiro de origem supostamente espúria, evadido ilicitamente do país", diz De Sanctis.

    Por ter aderido ao benefício de delação premiada, Claudine teve sua pena de prisão convertida em "prestação de serviços e interdição temporária de direitos". "Tendo em vista o seu empenho na colaboração com a Justiça, procedendo à identificação de pessoas, auxiliando investigações em curso, além de ter realizado ressarcimento dos lucros auferidos com a atividade criminosa, a ré faz jus à redução da pena", justificou De Sanctis.

    Outros envolvidos ainda não foram julgados


    Apesar de ter colaborado e conseguido um abrandamento de sua pena, Claudine pode recorrer da sentença. Tanto os bancos como seus executivos, outros doleiros e empresários que estariam envolvidos no esquema identificado pela PF ainda serão julgados pela Justiça, uma vez que o caso foi desmembrado.

    Procurado, o UBS informou por meio de sua assessoria que não iria se pronunciar. E o Credit Suisse divulgou um comunicado em que afirma adotar "normas muito rigorosas, que estão em conformidade com a legislação brasileira" e que seus funcionários "têm o dever de cumprir as disposições dessas normas e de todas as leis e a regulamentação em vigor, sempre aderindo aos mais altos padrões de profissionalismo". E conclui: "O Credit Suisse esclarece ainda que Claudine Spiero nunca foi funcionária do banco".

    Fonte: O Globo
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