"É necessário proteger os magistrados para que não tenham medo de decidir", diz Wedy

    JNA edição desta quarta-feira do Jornal Nacional, da TV Globo, trouxe como destaque principal o atentado sofrido pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), desembargador Luiz Antônio Araújo Mendonça, e seu motorista, ocorrido em Aracaju. O carro onde estavam foi alvejado com 30 tiros. O desembargador levou um tiro de raspão, sem gravidade, mas seu motorista encontra-se em estado grave no hospital.

    Logo cedo o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, mostrou sua indignação em nota à imprensa, na qual afirmou que a situação está insustentável, pois, em menos de três dias dois magistrados sofreram atentados, referindo-se ao caso do juiz federal Márcio Mafra, alvejado no braço em uma rodovia baiana.

    A segurança dos juízes federais foi inclusive tema da audiência que o presidente da Ajufe teve com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, nesta quarta-feira.

    Veja o vídeo da reportagem do Jornal Nacional:
    Presidente do TRE de Sergipe sofre atentado em Aracaju

    Valor Econônico:

    O jornal Valor Econômico, em reportagem de Juliano Basile intitulada "Atentado contra juiz eleitoral é o 1º desde a redemocratização", ressalta na edição desta quinta-feira (19) a reação do presidente da Ajufe, Gabriel Wedy.

    Confira a íntegra da matéria: 

    Atentado contra juiz eleitoral é o 1º desde a redemocratização

    Eleições: Presidente do TRE de Sergipe é alvo de 30 tiros e escapa por estar em carro blindado

    Juliano Basile, de Brasília

    O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Sergipe, desembargador Luiz Antônio Araújo Mendonça, sofreu um atentado a tiros, na manhã de ontem, em Aracaju. "Ele escapou por um milagre", relatou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski. Foram mais de 30 tiros contra o carro de Mendonça e ele foi atingido apenas de raspão. O motorista do veículo, Jailton Batista Pereira, teve de passar por cirurgia de mais de seis horas e, até ontem, estava em estado grave.

    O atentado aconteceu na avenida Ivo do Prado, a principal via da capital sergipana. Um Honda Civic preto parou ao lado do carro do desembargador e disparou tiros de diversos calibres.

    Foi a primeira vez que um juiz eleitoral sofreu um atentado, desde a redemocratização. Mas, ainda não se sabe se a tentativa de assassinato do desembargador tem relação direta com as eleições ou com alguma decisão que ele tenha tomado no comando do TRE. Mendonça foi secretário de Segurança Pública do Sergipe e cumpriu várias ordens de prisão no Estado.

    "Não estamos descartando nenhuma hipótese", disse Lewandowski, que cancelou a sessão de julgamentos do TSE e foi direto para Aracaju. "Tanto a Polícia Federal quanto a polícia local estão explorando todas as possibilidades, desde crime por motivação eleitoral até um crime que tenha motivação não eleitoral ou comum", completou o ministro.

    A cúpula do Judiciário e diversas associações de juízes pediram apuração rápida da polícia e mais segurança para os magistrados. Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, Mendonça foi "vítima de covarde atentado".

    "O STF, ao lamentar profundamente o ocorrido, confia na rápida apuração da autoria dos crimes pelas autoridades de segurança pública de Sergipe e encarece aos órgãos oficiais de segurança, nos planos estaduais e federal, que redobrem a atenção quanto à proteção da integridade física dos magistrados e demais autoridades públicas, sobretudo daquelas envolvidas no processo eleitoral", afirmou Peluso, em nota oficial.

    "Eu tenho 67 anos e nunca vi um caso igual em Sergipe", disse o vice-presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, que é sergipano. "Sergipe tem uma tradição de tranquilidade", completou.

    O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Mozart Valadares Pires, cobrou rigor na apuração e informou que vai "exigir e auxiliar os órgãos competentes na elucidação dos fatos e na responsabilização dos culpados".

    "A situação está chegando a um ponto insustentável", lamentou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy. Ele lembrou que o juiz federal Márcio Mafra foi baleado numa rodovia baiana, no último domingo. Aparentemente, foi uma tentativa de assalto, mas o episódio causou indignação na Ajufe, que cobra mais segurança para os magistrados. "O juiz deve ter tranquilidade para exercer suas funções, sem temer reações às suas decisões quando contraria interesses de poderosos ou facções criminosas", disse Wedy.

    O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
    Ophir Cavalcante, disse ter ficado estarrecido com o atentado. "Nós sabemos que o juiz, o advogado e o membro do Ministério Público estão sempre muito expostos, mas não acreditamos que essa violência tenha chegado a esses níveis", afirmou Ophir. O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, determinou à Polícia Federal que auxilie as polícias de Sergipe nas investigações.

    Texto: Andréa Mesquita com informações do JN e do Valor Econômico

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