"O Globo" publica reação da Ajufe à ideia do Congresso de não reajustar subsídios

    o_globoA edição de sábado (11) do jornal "O Globo" trouxe, em sua chamada de capa, uma reportagem sobre o possível aumento de salários do presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado e parlamentares.

    A matéria traz a reação do presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, quanto à possibilidade do Congresso Nacional não reajustar os subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que servem de parâmetro para toda a magistratura.

    Leia a íntegra da reportagem:

    CHAMADA DE CAPA
    Deputados aumentarão em 62% seus salários

    Se reajustes forem aprovados, Dilma ganhará 130% mais que Lula Globo_Salrios
     
    O Congresso prepara para a próxima semana, a última antes do recesso, a votação de um pacote de aumentos.

    Em causa própria, deputados e senadores votarão reajuste de 61,8% em seus subsídios - que seriam elevados de R$16,5 mil para R$26,7 mil. A proposta é equiparar os salários dos três Poderes. Com isso, a presidente eleita, Dilma Rousseff, poderá passar a ganhar também R$26,7 mil, elevando em 130% o valor hoje recebido pelo presidente Lula. Os ministros de Estado teriam reajuste de 134%. O aumento para o Judiciário não está no pacote, o que levou a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) a prever uma "crise institucional" entre Legislativo e Judiciário (Página 3).


    Texto principal

    Em causa própria

    Congresso se prepara para aumentar salários de presidente, vice, ministros e parlamentares
    Isabel Braga, Cristiane Jungblut e Adriana Vasconcelos

    Globo_Subsdios 
    BRASÍLIA - Na última semana de votações antes do recesso parlamentar que se estenderá até o fim de janeiro, deputados e senadores devem aprovar projeto de reajuste dos seus vencimentos e de salários do presidente da República e de ministros de Estado.

    O acordo ainda precisa ser fechado, e a ideia é concluir a  aprovação na quarta-feira, dia 15. A proposta que conta com apoio de maioria dos parlamentares promete polêmica, pois deixa sem aumento os ministros do Supremo Tribunal Federal e outros tribunais. Os reajustes seriam de 61,8% para deputados e senadores, e de 134% para presidente da República. No caso de ministros de Estado (do governo federal), o reajuste também seria de mais de 130%, mas os salários ficariam um pouco menor que o teto.

    Ao deixar sem reajuste os salários dos ministros do Supremo, a intenção do Congresso é justamente fazer a tão discutida e polêmica equiparação salarial dos três Poderes, deixando todos com o mesmo vencimento. No caso, o vencimento atual do ministro de Supremo ? que é de R$26,7 mil ? é considerado o teto do funcionalismo público.

    Juízes preveem "crise institucional"

    O problema é que o Judiciário, que já havia encaminhado ao Congresso projeto reajustando esses vencimentos em quase 15% (elevando-os para R$30,3 mil), não aceita ficar como está. No Legislativo e no Executivo, porém, o máximo que se admite para as autoridades do Judiciário, neste primeiro momento, é a correção da inflação, de 5,25%.

    Os ministros do Supremo evitam falar publicamente sobre o assunto, mas a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) reage à ideia do Congresso de não aplicar qualquer reajuste agora aos salários do Judiciário.

    - A Constituição, que determina a reposição das perdas inflacionárias do Judiciário ano a ano, será violada. A magistratura irá realizar assembleias extraordinárias nos primeiros meses do governo Dilma e greves e paralisações não estão descartadas. Certamente, a medida (votar o aumento dos parlamentares, sem votar o do Judiciário) vai gerar uma crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário - afirmou, ontem, Gabriel Wedy, presidente da Ajufe.

    Se aprovada a proposta que conta com a simpatia da maioria, os parlamentares terão seus subsídios aumentados dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil. Também passaria a receber este valor, a nova presidente da República - o salário atual de Lula hoje é de R$ 11,4 mil. Os ministros da Esplanada ganham atualmente R$ 10,7 mil.

    Para evitar desgaste do vice-presidente eleito e ainda presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o ideal seria votar depois do dia 15, quando ele passará o comando da Câmara para o primeiro-vice, deputado Marco Maia (PT-RS). O governo já avisou que não aumentará o Orçamento do Legislativo para custear o aumento. O orçamento global das duas Casas, excetuando o Tribunal de Contas da União, será de R$7,4 bilhões em 2011.

    Somente na Câmara, o impacto do reajuste era estimado inicialmente em R$130 milhões, podendo variar dependendo do valor final da proposta. Atualmente, a Câmara gasta R$220 milhões para pagar os subsídios parlamentares. Além dos 513 deputados, a Casa possui 900 deputados aposentados. O Senado não informou o custo desse reajuste na Casa.

    O quarto secretário da Câmara, Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos poucos que defendem abertamente o reajuste, está confiante de que a questão será resolvida
    na terça-feira:

    - Primeiro vamos discutir qual será o processo. Somos obrigados a fazer (dar o reajuste) para a próxima legislatura. Existe uma expectativa grande dos líderes, falei com alguns e vou falar mais na próxima semana. Estamos estudando como garantir o aumento. Se vamos fazer economia com investimentos, corte no quadro ou se tentamos dotação suplementar.

    Ele defende a equiparação com o salário dos ministros do Supremo:

    - A minha proposta é equiparar ao salário do ministro do Supremo. É constitucional, temos que fazer de forma definitiva e não falar mais nisso. Equiparar com o do ministro, na lei. E o aumento do Judiciário ficará para março. Veja bem, presidente da República ganhando R$11 mil? Tem funcionário que ganha mais que ele.

    No Senado, oficialmente, o reajuste ainda não teria sido discutido pela Mesa Diretora. Em fim de mandato, o 1º secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), é um dos poucos que defendem abertamente o aumento. O desgaste que essa discussão sempre provoca junto a opinião pública até agora inibiu os senadores. A proposta em gestação na Câmara é vista com ressalvas.

    - Eu só concordaria com esse reajuste (de 61,83%) se acabarem com a verba indenizatória e o auxílio moradia pago aos parlamentares - adiantou ontem o vice-líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR). - Eu abri mão da verba indenizatória e do auxílio moradia, embora more em um hotel.

    Os aliados do tucano na Câmara não concordam.
    - Acho imoral a tese dos que defendem aumentar os subsídios parlamentares cortando das verbas indenizatória ou de gabinete. A verba indenizatória é para custeio do mandato e a de gabinete para pagar os salários dos funcionários. Subsídio é o que parlamentar recebe pelo trabalho dele - afirmou o 2º secretário da Mesa, deputado ACM Neto (DEM-BA).


    Fonte: O Globo

     

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