Justiça quebra sigilo de empresas de Palladino

    Ex-diretor do Banco Panamericano é alvo da PF por suposto rombo de R$ 2,5 bilhões

    A Justiça Federal quebrou o sigilo bancário e fiscal de empresas do ex-diretor superintendente do Banco Panamericano, Rafael Palladino, alvo de inquérito da Polícia Federal que investiga suposto rombo de R$ 2,5 bilhões na instituição financeira do Grupo Silvio Santos.

    A abertura de dados de pessoas jurídicas com participação de Palladino foi requerida pelo delegado Rodrigo Sanford, que dirige a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF. Recursos supostamente desviados do banco teriam migrado ou passado por contas de empresas nas quais Palladino tem ou teve participação.

    Os arquivos da Junta Comercial de São Paulo indicam Palladino como sócio ou diretor de várias empresas. Em seu nome há firmas do setor imobiliário, postos de combustível e dos ramos de eventos e tecnologia.

    A Max America Negócios Imobiliários enviou US$ 2,3 milhões para Miami (EUA). A remessa ocorreu entre setembro de 2009 e maio do ano passado, segundo registro lançado na Junta Comercial.

    Palladino tinha participação simbólica em companhias do Grupo Silvio Santos, como a Liderança Capitalização e a TV Studios Anhanguera. Outros executivos do Banco Panamericano, como o ex-vice-presidente financeiro Wilson de Aro também ostentavam essa condição em empresas ligadas ao apresentador.

    Palladino ingressou no Grupo SS em 1990 e logo passou a atuar na área financeira, até assumir o comando do banco - foi demitido após a descoberta do rombo bilionário.

    A ordem para a quebra do sigilo das empresas é do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal. De Sanctis já havia decretado o bloqueio das contas da cúpula do Panamericano para assegurar eventual ressarcimento às pessoas físicas e jurídicas lesadas, impedir a ocultação de recursos, interromper a "continuidade de eventual prática delitiva" e "evitar perigo à ordem econômica pela circulação de bens tidos por ilícitos".

    Os executivos estão sob suspeita de assumirem "inconsistências contábeis no valor aproximado de R$ 2,5 bilhões, as quais seriam resultado de divergências entre as demonstrações financeiras e a real situação patrimonial da entidade".

    O inquérito apura gestão temerária, indução de investidor em erro, inserção de elemento falso em demonstrativos contábeis, gestão fraudulenta, quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

    "Para a defesa, não há nenhuma preocupação", disse o criminalista Celso Vilardi, titular do Vilardi Advogados Associados, que defende Palladino. "A Justiça já havia determinado a quebra do sigilo de todos os diretores do banco. Meu cliente tem todos os bens declarados ao Imposto de Renda. Não há absolutamente nada a esconder. Estamos verdadeiramente tranquilos. Essa quebra é continuação do que começaram a fazer."

    Vilardi, advogado especializado em Direito Penal Econômico, anotou que nem entrou com recurso contra o bloqueio de contas e a quebra de sigilo. "Não contestamos a quebra exatamente porque não temos nada a esconder. Com relação às empresas, eu ainda não obtive o teor da decisão judicial, mas deveremos adotar o mesmo procedimento."

    Fonte: O Estado de S. Paulo
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